27 abril 2022

O TEMPO

 


    Toda vez que ela se olhava no espelho, a única coisa que via eram suas feições.     
    Cansadas! 
    E mesmo que sorrisse, não conseguia ver outra coisa a não ser: rugas! 
    Algumas eram de estimação, sabia o momento exato e o porque que se formou. 
    Outras... não estavam ali ontem! Como assim mais uma?
    O tempo! 
    Definitivamente era implacável. 
   E, naquela mesma semana o médico lhe havia dito que estava velha, mas que ainda era jovem. 
     Hein?
    Passou dias tentanto entender aquele paradoxo, e chegou a conclusão nenhuma.
    Uma jovem senhora?
    Estava velha ou não afinal?
    Ah, era isso, a ruga nova, com certeza!
  Fato era que já sentia o peso dos excessos do passado, eram reais, visíveis e auto explicativos.
  E la dentro do seu mais íntimo recôndido, ainda era uma criança... com medo e assustada.


 


Todos os textos aqui publicados são autoria de Eli Antonio Luizaga.
Direitos autorais são protegidos pela Lei 9.610, de 19 de Fevereiro de 1968.


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