Ele chegou bem empolgado tentou falar mas ninguém queria escutar.
Na verdade, todas tinham muito que contar e explicar.
Niguém ouvia.
Ninguém se ouvia.
Para qualquer evento todas tinham uma explicação plausível, para tudo havia um ponto de vista a ser exposto.
Todas tinham sua opinião formada e queriam compartilhar, se fazer entender.
E tudo virava uma discussão infinita, sobre um assunto qualquer.
Havia inclusive aquelas que estavam munidas da razão e da verdade em suas própias mãos.
De um lado todas estavam certas, e de outro todas estavam erradas.
Não havia ninguém para conversar.
Não havia ninguém que queria refletir.
Só ele!
Mas seus ouvidos doíam.
O grito delas o ensurdecia e irritava.
Tantos pareceres que pareciam a mesma coisa.
Tantas opiniões baseadas em nada.
Pareciam papagaios cantando ao mesmo tempo. Uma autêntica cacofônia!
Será que alguém sabe mesmo sobre o que está falando?
Ganha quem gritar mais?
Se chegará a algum lugar com tanto barulho?
Percebeu que não tinha tanta coisa assim pra falar como achava.
Podia rever seu discurso e falar menos; quando falasse!E não precisava ser alí, haveria um espaço e um momento certo para o que tinha que compartilhar.
As palavras, as suas palavras, eram valiosas como pérolas para serem jogadas de qualquer maneira.
Enquanto elas gritavam e davam suas “preciosas” opiniões, ele organizava pensamentos.
Já não estava tão irritado, visualizou outros cenários dos quais poderia estar.
Ficou feliz!
Entendia mais das coisas do que um dia imaginou!
Aliviado e com um belo sorriso saiu dalí e seguiu seu caminho.
Pelo caminho se perguntou como aprenderiam alguma coisa se não podiam escutar.
Ele guardou suas palavras, decidiu aprender a escrever.
Em um mundo de arapongas os periquitos que lutem!

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